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Como a ZAMP Reconstruiu o Motor Invisível por Trás da Maior Operadora de QSR do Brasil

The Editorial Team, o9

The Editorial Team, o9

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Quando você entra em um Burger King em São Paulo e pede um Whopper, espera que o pão, o hambúrguer, a batata frita e o molho estejam lá. Você não pensa nos outros quatrocentos e noventa e nove fornecedores, nos milhares de SKUs, nem no gerente da loja que, entre atender clientes e organizar escalas, ainda precisa prever a demanda e fazer o pedido de reposição. Essa invisibilidade é exatamente o objetivo de uma supply chain bem gerida, e é também o que torna esse trabalho tão difícil de fazer bem.

No Gartner Supply Chain Symposium/Xpo 2026 em Orlando, Luciano Totola, Supply Chain Director da ZAMP, subiu ao palco para apresentar como sua equipe tornou essa invisibilidade possível em 2.071 restaurantes e quatro marcas icônicas.

A ZAMP é a maior operadora de restaurantes do Brasil, reunindo Burger King, Popeyes, Starbucks e Subway sob um mesmo teto. São cerca de dois bilhões de dólares em vendas, quase 20 mil colaboradores diretos e clientes suficientes atendidos por ano para alimentar toda a população do Brasil uma vez. Cada marca traz sua própria identidade, sua própria complexidade de supply e suas próprias expectativas dos consumidores.

E os clientes, como Luciano colocou sem rodeios, não aceitam desculpas. "Nós, como clientes, não aceitamos desculpas. Quando vamos a um restaurante, queremos encontrar nosso item em todas as unidades."

Enquanto isso, espera-se que a operadora mantenha o desperdício e os custos sob controle ao mesmo tempo. A realidade operacional por trás dessa promessa é desafiadora:

  • Demanda volátil em milhares de SKUs. Os padrões de venda mudam constantemente com o mercado, e a equipe precisa reagir rápido.
  • Fragilidade produtiva no nível da loja. Se um único item crítico falta, seja pão, carne ou batata frita, a loja precisa retirar itens do menu ou fechar. Luciano traçou um paralelo marcante a partir de sua experiência em CPG: "Eu costumava dizer que o mesmo barulho que você ouve quando para uma linha de produção é basicamente o mesmo barulho que eu ouço quando preciso fechar uma loja. A diferença é que eu tenho quase três mil linhas de produção."
  • Turnover estrutural. O turnover de equipes no QSR brasileiro gira em torno de 110% ao ano. Como Luciano descreveu: "Basicamente trocamos todo mundo, e isso, claro, leva a resultados inconsistentes."
  • Complexidade geográfica. O Brasil é um país de escala continental, o que exige uma infraestrutura de supply chain altamente robusta e bem estruturada para alcançar os níveis de serviço esperados.

Além de tudo isso, a própria área de planejamento operava com planilhas de Excel, processos isolados e uma equipe permanentemente presa no modo de apagar incêndios. Algo precisava mudar.

A Visão: Seis Iniciativas Conectadas, Um Único Cérebro Orquestrador

Em vez de buscar uma solução única, a ZAMP desenhou uma transformação end-to-end construída sobre seis iniciativas interconectadas, incluindo um sistema de track-and-trace para entregas last-mile, governança reforçada de faturas, contagem de inventário digitalizada em loja e uma control tower. No centro, orquestrando o fluxo do fornecedor até o restaurante, está a plataforma o9.

A Transformação: Primeiro os Dados, Depois o Processo, Depois a Ferramenta (Mais ou Menos)

Luciano foi bastante franco sobre os aprendizados ao longo dos dois anos e meio de implementação.

  • Dados como fundação. Nenhuma capacidade avançada de planejamento sobrevive a inputs ruins, então a equipe investiu pesadamente na limpeza e validação dos dados antes de qualquer outra coisa.
  • Três capacidades entraram em operação: planejamento de demanda com modelos estatísticos avançados projetando seis meses à frente, planejamento de supply construindo planos de procurement semanais e mensais, e reposição de lojas gerenciando o abastecimento.

Duas Confissões de Quem Liderou o Processo

  1. A fase de blueprint importa mais do que se imagina. Pule etapas aqui e os desenvolvedores vão levar muito mais tempo do que o esperado. "Se você não tem um bom blueprint, o desenvolvedor vai levar mais tempo do que você espera. Então invista tempo com suas equipes, provocando as discussões necessárias, porque isso vai economizar muito tempo e esforço."
  2. O senso comum diz que você implementa o processo antes de implementar a ferramenta. A ZAMP não teve esse luxo, porque a empresa estava crescendo rápido demais, então construiu os dois ao mesmo tempo. O que salvou a operação foi se apoiar nos reference models da o9 para cerca de 70% do design, manter a simplicidade e reservar desenvolvimento customizado para os 30% que realmente precisavam. Esses 30% customizados geraram algumas das capacidades mais valiosas do sistema: um otimizador de fluxo futuro para ordens de compra e transferência de estoque que melhorou significativamente os fluxos de entrada, um "leakage factor" que conecta o planejamento de demanda e supply ao contabilizar a dispersão do mundo real (o molho extra, a porção mais generosa), e modelos de Machine Learning prevendo cada SKU em cada loja.

Os Resultados: O Gráfico que Pagou o Projeto

Os números são do tipo que justifica uma conversa com o board. Como Luciano disse à plateia: "Esse gráfico é basicamente o responsável pelo retorno do nosso investimento."

  • Forecast accuracy melhorou 20 pontos percentuais, agora em torno de 92%
  • Inventário reduzido em 13%
  • Perdas reduzidas em quase 80%
  • Custos de transporte reduzidos em aproximadamente 22%

Mas Luciano fez questão de enfatizar que os números não são a verdadeira história. A mudança cultural é evidente. Vendas, marketing e finanças agora confiam no supply. Os quase 500 fornecedores da rede da ZAMP participam de discussões genuínas de what-if, antecipam decisões de investimento em conjunto e sinalizam riscos mais cedo. A supply chain se tornou mais previsível, com ações orientadas por antecipação, não por reação, e o ciclo de apagar incêndios ficou para trás.

As Pessoas Mais Transformadas: Gerentes de Loja e Clientes

Os dois stakeholders aos quais Luciano sempre voltava não eram planejadores. Eram gerentes de loja e clientes.

Imagine o gerente de loja antes dessa transformação: gerenciando escalas de trabalho, preparando o restaurante, atendendo clientes e, no tempo que sobra, fazendo controle de inventário, projetando vendas, explodindo a lista de materiais, verificando estoque e escrevendo pedidos de reposição. Nada disso é o que realmente importa para a experiência do cliente. "São muitas coisas, e eles não estavam focados no que importa, que é a comida e a experiência do cliente."

Após a transformação:

  • Tempo gasto com pedidos reduzido em 30%
  • Forecast accuracy no nível da loja melhorou ~20%
  • Satisfação dos gerentes de loja quase dobrou
  • ~70% dos pedidos de SKUs agora são touchless
  • 90% dos pedidos são agendados automaticamente, com meta de 100% touchless

Para os clientes, a disponibilidade em gôndola melhorou 32% em todos os itens e aproximadamente 70% nos SKUs de curva A, os itens que mais importam para eles.

O Que Vem Pela Frente

A ZAMP não trata isso como um projeto encerrado. Três frentes estão ativas: um piloto de pedidos totalmente autônomos em uma região, sem nenhuma intervenção do gerente de loja (migrando o modelo operacional de gestão de pedidos para gestão de inventário), integração das operações recém-adquiridas de Starbucks e Subway para capturar sinergias de M&A, e o redesenho da próxima geração de lojas com base em tudo o que a transformação revelou.

A Mensagem de Encerramento

Luciano terminou onde toda boa história de transformação deveria terminar, com um lembrete de que nada disso começou pela tecnologia: "Não começamos essa transformação pela tecnologia. Ela foi uma facilitadora essencial. Começamos resolvendo um problema que importava para as pessoas no centro do nosso negócio." Os pães estão na prateleira. A linha segue aberta. E quase ninguém precisa pensar no porquê.

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Sobre os autores

The Editorial Team, o9

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A multidisciplinary collective of editors, strategists, technologists, and former executives with experience across Fortune 500 companies and top consulting firms. Grounded in o9’s mission to help enterprises make faster, better decisions through the power of AI-driven planning and execution software, the team shares clear, practical insights on digital transformation, supply chain, and enterprise planning to support business leaders in navigating complexity and driving change.