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Artigo

Do Planejador Tradicional ao Planejador Integrado

Renato Tavares

Renato Tavares

Senior Director de Client Management Services and Delivery

Maria Tereza Fartes

Maria Tereza Fartes

Gerente Senior de Client Management Services e Delivery

4 ler min

Como a M. Dias Branco Está Transformando Seu Supply Chain com a o9

Quando Marcos Battistini, Gerente Executivo de Planejamento Integrado da M. Dias Branco, subiu ao palco do Fórum ILOS 2026 em São Paulo, ele não veio falar de tecnologia. Veio falar de pessoas, processos e de uma decisão que a empresa tomou há alguns anos: parar de apagar incêndios e começar a planejar de verdade.

A M. Dias Branco é uma das maiores empresas de alimentos do Brasil, líder nos mercados de biscoitos, massas e granolas, com mais de 20 marcas, 22 unidades industriais, 25 centros de distribuição, mais de 140 mil clientes e 1.000+ SKUs em uma cadeia que atravessa o país de ponta a ponta. Qualquer imprecisão no planejamento, em uma operação desse porte, tem custo imediato e visível.

O que Battistini apresentou no ILOS foi o capítulo mais recente dessa jornada: o Projeto Transformar, agora em sua 3ª Onda.

A jornada em três ondas

O Projeto Transformar não nasceu como uma implementação de software. Nasceu como um diagnóstico. Em 2021, a M. Dias Branco ainda identificava alguns aspectos de planejamento manual, processos fragmentados e operação essencialmente reativa. A resposta foi estruturar a transformação em ondas — cada uma com um objetivo distinto, trabalhando simultaneamente processo, governança, pessoas e tecnologia.

Onda 1 — Estruturação (2021/2022): estabilizar o atendimento aos clientes, construindo base de processo, disciplina e governança de dados.

Onda 2 — Estabilização (2023): ampliar os resultados de nível de serviço, estoque e custos, elevando a maturidade das equipes.

Onda 3 — Otimização (2025/2027): mudar de patamar, conectando capacidade produtiva, materiais e decisão executiva em um modelo de IBP Foundation — a onda atual, em andamento com a o9.

Para chegar à Onda 3, a M. Dias Branco conduziu um processo estruturado de software selection, avaliando fornecedores a partir de seis lentes — estratégia, inovação, funcionalidade, tecnologia, arquitetura e aderência à indústria. 

A o9 foi selecionada para cobrir sete capabilities: Planejamento de Demanda, DRP, MPS, Demand Sensing, Política de Estoque, MEIO e IBP Foundation. A Fase 1 — Demand Planning e DRP — foi concluída em 2026. A Fase 2 está em andamento até 2027.

O que a Fase 1 entregou

Os resultados não vieram apenas dos indicadores. Vieram de uma mudança no próprio modo de trabalhar.

No Planejamento de Demanda, a assertividade avançou de forma consistente ao longo de três anos, superando a meta estabelecida para o período. O ciclo de Demand Review — colaboração entre planejamento, comercial e marketing — caiu de 80 para 56 horas, uma redução de 30%, com a automação de preparação de arquivos, ajustes manuais e reconciliações. A plataforma também viabilizou colaboração em nível de Rede e Bandeira, cenarização em tempo real e visibilidade de Margem, RL, RLDD e Volume para priorização de portfólio e campanhas.

No DRP, o plano de abastecimento passou a ser gerado de forma automatizada e padronizada de ponta a ponta. O planejamento tornou-se mais responsivo, incorporando inputs de demand sensing, sequenciamento e política de estoques. Regras automáticas de priorização, netting e fair share passaram a rodar dentro da plataforma. No comparativo 2025 versus 2026, a aderência à política ideal de itens transferidos atingiu em seu pico +24%, enquanto o Stock Out + Risco caiu 19%.

Ao longo dos três anos de jornada, a M. Dias Branco registrou evolução expressiva em todos os KPIs centrais da operação — assertividade de forecast, OTIF, perdas e CFR. Os indicadores confirmam que a transformação não foi pontual: foi sistêmica.

O que está por vir: Fase 2 (2026–2027)

A Fase 2 expande o escopo para MPS, Demand Sensing, MEIO e IBP Foundation — integrando capacidade produtiva, otimização de estoques e decisão executiva em uma visão única que conecte os planos de Demanda, Supply e Financeiro da companhia.

Os aprendizados que ninguém publica

Battistini dedicou parte da apresentação aos insights que raramente aparecem em slides de resultado — os que fazem toda a diferença na prática.

Pessoas e stakeholders primeiro: ter profissionais preparados com backups formados é inegociável. Trazer as áreas desde a fase de blueprint, garantindo entendimento de escopo e papel, economizou tempo e conflito nas fases seguintes.

Gestão da mudança e maturidade heterogênea: o engajamento das áreas e a comunicação interna foram críticos no início. Diferentes níveis de maturidade entre processos e equipes influenciaram decisões e ritmo — não existe uma velocidade única para uma organização inteira.

Dados e acompanhamento diário: governança centralizada de cadastros foi fundamental para a consistência dos dados. E o acompanhamento diário do projeto — não semanal — garantiu agilidade na identificação de falhas enquanto ainda havia tempo de agir.

De Reativo a Resiliente: Preparando Supply Chains para o Futuro com Planejamento de Demanda Inteligente.

A previsão é o primeiro passo. Saiba como transformar previsões em ações precisas.

A transformação que importa: pessoas, processos e cultura

“A transformação que estamos vivendo não é apenas sobre tecnologia; é sobre pessoas, processos e cultura. O Projeto Transformar APS é o alicerce para um Supply Chain mais resiliente e competitivo.”

Marcos Battistini

Gerente Executivo de Planejamento Integrado

A mudança de mindset que a M. Dias Branco está construindo — do planejador tradicional ao planejador integrado — tem quatro dimensões: mindset digital, decisão orientada por dados, atuação por exceção e disciplina de processo. O sistema alerta sobre desvios; cabe ao planejador agir onde realmente importa.

Essa não é a história de uma empresa que implementou uma ferramenta. É a história de uma empresa que decidiu, com clareza e método, mudar a forma como planeja — e está colhendo os resultados dessa decisão em cada trimestre.

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Sobre os autores

Renato Tavares

Renato Tavares

Senior Director de Client Management Services and Delivery

Renato Tavares é Senior Director na o9 Solutions, liderando as áreas de Services e Delivery da o9 LATAM. Baseado no Brasil, ele lidera equipes regionais de delivery em múltiplos países e atua em parceria com grandes organizações da América Latina para impulsionar iniciativas de transformação digital end-to-end em larga escala.

Possui uma trajetória híbrida entre indústria e consultoria, com experiência na liderança de transformações em S&OP, planejamento integrado de negócios (IBP), supply chain planning, execução logística e planejamento orientado por IA, conectando estratégia, tecnologia e execução para gerar impacto mensurável nos negócios.

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Maria Tereza Fartes

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